Criar, Experimentar, produzir:
Ensinar e fazer cinema na Universidade Lusófona

Editorial

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Manuel José Damásio

Ao longo dos últimos vinte anos, o departamento de Cinema e Artes dos Media da Universidade Lusófona tem vindo a desenvolver e consolidar o seu projeto de ensino e investigação na área do cinema e das artes dos media em Portugal e no Espaço Europeu.

As linhas gerais de desenvolvimento desse projeto foram definidas desde muito cedo e o departamento nunca deixou ao longo de todo este tempo de perseguir o mesmo objetivo ambicioso a que se propôs desde a sua criação: fazer da Universidade Lusófona a escola de referência para o ensino do cinema e do Audiovisual em Portugal, afirmando a nossa instituição como uma escola de referência no espaço europeu e um motor de desenvolvimento da criatividade e da produção audiovisual e cinematográfica em Portugal.

Quando o nosso departamento foi criado, este objetivo parecia absolutamente inalcançável e, sejamos sinceros, até um pouco irrealista. Num contexto marcado por elevada incerteza e crises cíclicas, seja no domínio da produção, seja no domínio da educação superior, ambicionar criar em Portugal uma escola de referência com meios escassos, senão quase inexistentes, parecia um projeto fadado ao desastre ou mesmo condenado a nunca sair do seu estágio conceptual. No entanto, o nosso departamento nunca deixou de perseguir esse mesmo objetivo e, vinte anos volvidos, podemos orgulhosamente afirmar que já percorremos uma parte significativa desse caminho e que, hoje, são muitas as razões que nos levam a afirmar que parte substancial desse objetivo inicial já foi alcançada.

Atualmente o departamento de cinema e artes dos media oferece um conjunto considerável de cursos que cobrem os três ciclos de formação previstos pela legislação portuguesa e abrangem os domínios mais significativos do cinema e das artes dos media, desde as áreas mais tradicionais da criatividade cinematográfica, como o som, a produção ou a fotografia, até às novas áreas de afirmação dos media, como o sejam os videojogos ou a animação. Estas diferentes formações são anualmente a primeira escolha de um número cada vez crescente de alunos que querem estudar nestas áreas do saber, e o crescente volume de alumni da nossa escola encontra cada vez melhor colocação e recetividade no mercado de trabalho, seja em Portugal, seja no espaço europeu.

Complementarmente, temos vindo a desenvolver diversos projetos de formação avançada com um cariz mais profissional, seja no contexto da nossa colaboração com diferentes empresas, como por exemplo a Avid, seja no contexto de Programas Europeus como o Creative Europe e Erasmus+, que se pretende que cada vez mais alarguem o âmbito da nossa intervenção a todos os domínios da sociedade e dos setores do cinema e do audiovisual. A criação recente do projeto CAPA – Centro Audiovisual de Preparação Avançada, como marca que agrega toda a nossa oferta educativa avançada e profissionalizante e não conferente de grau, insere-se claramente no processo de reforço desta dimensão.

Porque é a participação de todos na prossecução de objetivos comuns que é, hoje como amanhã, o maior garante do nosso sucesso!

A oferta educativa da Universidade Lusófona está concebida em torno de um princípio fundamental: a formação dos profissionais criativos do futuro, indivíduos simultaneamente aptos do ponto de vista técnico e capazes de refletir criticamente sobre o seu trabalho e o estado da arte para o domínio do saber em que atuam. Na nossa escola formamos alunos que sabem fazer e sabem refletir sobre o que fazem. Seguindo este princípio, as nossas formações aliam ao longo de todo o seu percurso, o enfâse na aprendizagem dos saberes práticos, com a aquisição de competências artísticas, e a reflexão teórica em torno dos trabalhos executados. Esta abordagem estrutura-se em todos os nossos cursos, através de uma metodologia de ensino centrada no projeto como elemento central de aprendizagem. O enfoque no trabalho mais individual ou mais coletivo varia consoante o nível de formação, mas o projeto é sempre o cerne do processo educativo. As atividades de projeto ocupam assim uma parte significativa do tempo de aprendizagem dos nossos alunos e é desses processos que saem os trabalhos – filmes, fotografias, projetos sónicos, etc. – que tanto nos orgulham e que em tanto contribuem para a consolidação de outro dos vetores essenciais do nosso projeto educativo: a visibilidade e circulação pública dos trabalhos produzidos pelos nossos alunos e investigadores.

É assim que praticamente desde o seu início, o nosso departamento não cessou de realizar eventos públicos, produzir publicações e participar nos mais variados festivais e mostras, sempre com o objetivo de garantir a maior visibilidade para o trabalho dos nossos alunos e reforçar o papel da Universidade como o ator dinâmico e participante na cena cultural e artística nacional e internacional. A crescente circulação dos resultados dos nossos alunos e a boa receção de que os mesmos vêm sendo alvo, levou-nos a dar mais um passo na consolidação desse processo, com a criação em 2017 da LSF – Lusófona Filmes, uma entidade independente dedicada à exploração e promoção dos projetos dos nossos alunos, que ambiciona em última instância a constituir-se como um agregador e promotor de jovens talentos.

A dinâmica de produção que associamos ao nosso processo próprio de ensino e aprendizagem, está bem expressa na nossa afirmação de que na Universidade Lusófona se aprende a criar, a produzir e a experimentar, os três vértices do nosso projeto educativo.

Como elemento essencial de desenvolvimento de todo este processo, o departamento desde muito cedo que colocou a internacionalização simultaneamente como um objetivo e como um instrumento crucial para alcançarmos os fins a que nos propúnhamos. O processo de internacionalização é assim para o nosso departamento, não uma mera atividade que devemos realizar em ordem a cumprir quaisquer requisitos de avaliação ou acreditação, mas uma parte central e essencial do crescimento e desenvolvimento do nosso projeto educativo. É por isso que a crescente afirmação internacional da nossa escola é para nós uma das provas evidentes do nosso sucesso.

O enfoque no trabalho mais individual ou mais coletivo varia consoante o nível de formação, mas o projeto é sempre o cerne do processo educativo.

Hoje as nossas formações são procuradas por números crescentes de estudantes estrangeiros, nomeadamente brasileiros, e um dos pilares da afirmação internacional da nossa escola, é a sua oferta de EMJMD – Erasmus Mundus Joint Master Degrees, programas de Mestrado financiados e acreditados pela União Europeia que colocam a nossa escola no topo das escolhas internacionais para formação avançada em cinema. Esses programas internacionais de formação são apenas um dos aspetos mais visíveis da nossa política de internacionalização. Outros aspetos relevantes desta política incluem a aposta na mobilidade de estudantes e professores, tendo como alicerce a nossa participação ativa na CILECT (International Association of Film and Television Schools/Centre International de Liaison des Ecoles de Cinéma et de Télévision) e na GEECT (Groupement Européen des Ecoles de Cinéma et de Télévision (GEECT) / European Grouping of Film and Television Schools), as duas entidades internacionais que agregam as escolas de referência internacional no domínio do cinema e do audiovisual, a integração de docentes estrangeiros no nosso corpo docente e a participação constante e ativa em múltiplos consórcios de formação no contexto do envolvimento dos docentes do departamento nas atividades de investigação do CICANT (Centro de Investigação em Comunicação Aplicada, Cultura e Novas Tecnologias), a unidade de investigação da Universidade Lusófona que atua nesta área do conhecimento.

Esta articulação entre ensino e investigação constitui outro pilar fundamental do nosso projeto educativo que queremos continuar a estimular, nomeadamente através do crescente envolvimento dos alunos de doutoramento em atividades de formação inicial e o crescente envolvimento dos alunos de formações iniciais no apoio a projetos de I&D.

É assim ao longo de todos estes eixos e atividades que se tem vindo a fazer o nosso caminho. Chegou agora a altura de continuar a consolidar este nosso projeto através do aumento do grau de comunicação entre a comunidade associada ao mesmo e desta com a sociedade. É por isso que decidimos lançar este novo projeto editorial associado ao nosso novo site. Este é um momento marcante do nosso desenvolvimento.

Para que uma escola possa ser cada vez mais atrativa e competitiva em termos internacionais há vários fatores que se têm de se ter em conta: a excelência das formações; a qualidade dos docentes; o grau de excelência dos meios técnicos; o grau de internacionalização da escola; o grau de empregabilidade dos seus alumni e a visibilidade dos resultados do trabalho académico; a riqueza e rigor dos processos de ensino e aprendizagem e a articulação entre ensino e investigação.

Tudo isto são pontos essenciais a cumprir por qualquer escola que ambicione a ter um estatuto internacional de referência. Mas para além disso tudo há algo que não se mede. Aquelas pequenas coisas que não sabemos explicar. A capacidade de acreditar quando todos dizem que é impossível, de continuar a fazer quanto tudo à volta está a ruir.

É desses momentos que nos unem que saem os resultados que nos fazem melhores e é em última instância essa capacidade de acreditar que nos diferencia e nos torna inimitáveis. É porque acreditamos nas virtudes e no potencial deste projeto educativo que agora decidimos dar mais um passo na consolidação do mesmo, ao apostar numa forma de comunicação online que possa dar voz a toda a nossa comunidade. Este é o vosso espaço e contamos com todos para que nos deixem aqui os vossos pensamentos, críticas e contributos. Porque é a participação de todos na prossecução de objetivos comuns que é, hoje como amanhã, o maior garante do nosso sucesso!


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